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Justina Fiori de Assunção Expectativa geral no Paraguai para a possível chegada, nesta terca-feira, do ex-ditador Alfredo Stroessner e de seu filho, Gustavo, que estariam retornando ao país depois de quase 17 anos vivendo no Brasil sob proteção do governo brasileiro. Pai e filho respondem por vários crimes no Paraguai, entre eles, o de enriquecimento ilìcito e tortura e assassinato de presos políticos.
Para entrar no país, Gustavo Stroessner deverá pagar uma fiança de U$$ 1,5 milhão e deverá ficar em prisão domiciliar. Já o ex-ditador pode entrar no país porque sua idade (mais de 90 anos) nao lhe permite cumprir a pena na prisão. Alfredo Stroessner comandou o Paraguai com mão de ferro entre os anos de 1954 e 1989. Durante esses anos, o ex-ditador desrespeitou os direitos humanos e impôs um regime de medo em todo o país. Milhares de paraguaios foram presos. Outros foram torturados e há registro de pelo menos 250 desaparecidos políticos. Desde que foi deposto por um golpe militar em fevereiro de 1989, vive em Brasília sob protecao do governo brasileiro. Seu filho, Gustavo Stroessner, também acompanhou o pai na fuga para o Brasil. Desde entao, não retornou mais ao seu país.
Hoje, ambos podem estar voltando mediante autorização judicial que permite ao ex-ditador e seu filho a cuidar de Eligia Mora, esposa de Alfredo e mãe de Gustavo, que está internada na unidade de terapia intensiva de um hospital particular, em Assunção. Seu estado de saúde, segundo os médicos, é critica. Com 95 anos de idade, Eligia está internada desde o final do ano passado com um quadro de insuficiência cardiorrespiratória.
O ex-ditador e seu filho podem ficar hospedados em uma suntuosa mansão, que está sendo especialmente preparada para tal. A casa é propriedade da família e está localizada em um dos bairros mais nobres da capital paraguaia.
Para conseguir autorização judicial e retornar ao seu país, o filho do ex-ditador argumentou a necessidade de cuidar da mãe doente. E para trazer o pai, alega que nao poderá deixar sozinho, em Brasília, o seu pai, que também está com mais de 90 anos e tem problemas de saúde.
Alguns setores políticos do Paraguai não aceitam o retorno do ex-ditador e defendem a prisão de Strossnes para que possa cumprir pena pelos crimes que cometeu. O advogado Heriberto Alegre, defensor dos direitos humanos, lembra que Stroessner ainda responde a oito processos judiciais e, se retornar ao país, deveria ser imediatamente preso. Entre os processos, está o que envolve o desaparecimento de 250 pessoas. Outras 19 a 20 mil pessoas podem ter sido presas durante o regime do ex-ditador. O advogado de familiares de desaparecidos, Rodolfo Aseretto, também defende a prisao imediata de Stroessner.
Heriberto Alegre lembra que Stroessner nao permitiu que vários presos políticos pudessem retornar ao país para visitar familiares doentes, como quer, agora o ex-ditador. Ele cita o caso do famoso músico José Asunción Flores, o líder político Waldino Ramón Lovera e o escritor Rubén Bareiro Saguier. Todos eles pediram para ingressar no Paraguai e poder dar assistência a membros de sua família que estavam com problemas de saúde, mas o pedido foi negado pelo próprio Stroessner. 24Horas News, Brasil 03-01-2006 |